ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS
 
 
 

 

MARKETING DO TRANSPORTE PÚBLICO E TRANSITO
ITENS PARA UMA POLÍTICA

 

Este documento foi elaborado pela
Comissão de Marketing como contribuição para o
Seminário Nacional - Marketing do Transporte Público e Trânsito -
São Paulo, 18 e 19 de outubro de 2001

 

 

A DEFESA DO TRANSPORTE PÚBLICO constitui-se no ideário da ANTP. Para a entidade, a qualidade de vida urbana passa pela requalificação do uso do espaço público e pela minimização dos efeitos perversos de uma política de mobilidade exclusivamente apoiada no uso do automóvel. Daí tentar usar das ferramentas de que dispõe o MARKETING para inverter a dinâmica negativa que está associada ao Transporte Público.
 
Para a ANTP os contornos do MARKETING devem ser os mais amplos possíveis, expressando a diversidade dos seus associados e colaboradores. Deve ser uma política de Marketing para o setor , que incorpore as contribuições das iniciativas de cada segmento, ou seja, um MARKETING DO TRANSPORTE PUBLICO E COLETIVO, que considere tanto esta prioridade, como a dos pedestres e dos usuários de meios não motorizados na gestão do TRANSITO, visto serem estes os segmentos mais frágeis nas condições atuais de circulação urbana, ditadas pela priorização do uso do automóvel.
 
Uma política de MARKETING do setor deve ter por objetivos ampliar a participação do Transporte Público e Coletivo no mercado da mobilidade e fortalecer a gestão e o controle do uso do espaço público, considerando a segurança dos seus diferentes usuários.
 
Através do Prêmio ANTP de Qualidade , a entidade vem estimulando a adoção pelo setor de práticas que além de valorizar os resultados para usuários e comunidade, impliquem em melhorias no planejamento, na definição e avaliação de metas e na gestão dos processos e informações . Da mesma forma, compartilha como o setor, as dificuldades decorrentes da instabilidade econômica e política do ambiente em que atua, proveniente da ausência de definições políticas claras e de longo prazo, pela tendência ao imediatismo que comanda a maior parte das decisões e pelo receio de que o planejamento possa retirar autonomia e flexibilidade daqueles que são chamados a tomar decisões.
 
Há muita confusão entre MARKETING e PUBLICIDADE, o que significa reduzir o entendimento de MARKETING como ferramenta exclusiva de auto-promoção. Na verdade este pode ser um dos seus aspectos e, as vezes, o mais importante ou urgente. Mas MARKETING pode ser também uma ferramenta de auto-defesa.
 
O conceito de MARKETING evoluiu de um entendimento que envolvia as atividades ligadas basicamente ao fluxo de bens e serviços, entre produtores e consumidores, para se tornar uma atividade relacionada com funções sociais e culturais, superando em muito os limites comerciais de atuação das empresas. Neste sentido ampliou-se o conceito de MARKETING para abranger áreas de ordem macro - funções de Estado ou de comunidade e de instituições que não necessariamente visam lucro - igrejas, hospitais, partidos políticos e ONGs.
 
Desta forma, a noção de MARKETING pode ser aplicado as mais diferentes formas de organização e finalidades - comercial, social, institucional, cultural etc.
 
Para um MARKETING com efetividade é necessária uma visão sistêmica. Portanto não se trata de uma atividade que possa ser concebida setorialmente, isolada do processo decisório. Também requer a consideração das condições culturais específicas do setor onde se pretende aplica-lo, ou seja, não se trata de implantar medidas e ações concebidas externamente aqueles sujeitos para os quais se destina.
 
MARKETING supõe a consideração dos relacionamentos envolvendo todos os parceiros - clientes diretos, indiretos, fornecedores, colaboradores, trabalhadores e sociedade em geral.
 
No caso da indústria, este relacionamento tende a priorizar a relação direta entre:
 
PRODUTOR
<-------->
CONSUMIDOR
 
No Transporte Público e Trânsito , as relações se desdobram:
 
USUÁRIOS / COMUNIDADE/ OPINIÃO PÚBLICA
 
GOVERNO
OPERADORES / FABRICANTES
 
MARKETING deve ser visto como uma disciplina pragmática que persegue um objetivo central - aumentar a eficácia das empresas e organizações , adaptando-as melhor ao mercado. São seus componentes: o sistema de produção, o sistema de distribuição, o preço, a atendimento, a publicidade, a promoção etc.
 
Em síntese, MARKETING é a intenção de entender e atender o mercado, todas as funções do MARKETING remetem a duas finalidades - identificar oportunidades de demanda, inadequada ou insuficientemente atendidas , e conquistar ou preencher esta demanda com o mínimo de recursos e custos operacionais. Isto supõe uma permanente busca de adaptação dos recursos controláveis pela organização ou setor, distinguidos claramente daqueles fatores que fogem do seu controle.
 
Entendido como SISTEMA, o MARKETING envolve o conhecimento da demanda, o reconhecimento do ambiente social, a definição de uma estratégia, a mobilização dos meios e da organização para atingi-los e a promoção de uma comunicação que torne o processo identificável para os seus beneficiários. Daí ser necessário mobilizar recursos diversos:
 
- Comunicação - da imprensa escrita, da mídia eletrônica e de outros meios de comunicação direcionados ao cliente - centrais de atendimento, ações de publicidade, visando influir a opinião pública e as autoridades.
 
- Educação - destinada a promover mudanças nos valores, contribuindo para a definição e fortalecimento da imagem do produto;
 
- Pesquisa - destinada ao conhecimento do cliente e ao reconhecimento de suas necessidades; para o planejamento da ação e modelagem do produto a ser oferecido; para reconhecer clientes potenciais e conhecer os não clientes, afetados indiretamente pelo produto oferecido;
 
- Gestão /planejamento - garantir o envolvimento dos colaboradores e trabalhadores envolvidos e promover um sistema de informações que permita a permanente reciclagem e melhoria do produto oferecido, a custos competitivos em relação a similares
 
Ao propor um MARKETING para o setor, a ANTP não desconsidera a importância de outras iniciativas em curso, na NTU, Sindicatos e Federações das empresas operadoras rodoviárias privadas e seus usuários. Tais iniciativas tem o mérito de despertar sensibilidades que podem contribuir para o setor, respondendo assim tanto a expectativas particulares como mais gerais.
 
Vale dizer que o setor de Transporte Público tem inúmeras experiências positivas a resgatar, muitas delas em pleno funcionamento, ainda que muitas não tenham sido designadas como ações de MARKETING. Mas esta tarefa fica para o próximo documento.

 


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