ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS
 
 
 

 

 

Quadro Básico Institucional dos

Sistemas Ferroviários de Surbúbio no Brasil

 

 

Cultural

Ayrton Camargo e Silva

  

Os sistemas de trens de subúrbio no Brasil surgiram como desdobramento natural dos serviços de trens de passageiros de longa distância, dedicando-se a prestar atendimento à localidades situadas nas zonas de expansão urbana próximas às áreas centrais das cidades que possuíam serviços ferroviários.

Logo após os primeiros anos de operação, as empresas ferroviárias constataram as diferenças nítidas existentes entre os passageiros que se utilizavam do trem para os deslocamentos entre capitais e aqueles que se utilizavam das mesmas composições apenas para suas viagens entre a capital e os bairros de subúrbio.

Uma das primeiras alterações operacionais adotadas pelas empresas ferroviárias foi a criação de horários específicos para trens que paravam em todas as estações, visando atender passageiros "dos subúrbios", separando-os dos trens expressos, que priorizavam a ligação entre as grandes cidades.

Apesar da diferenciação dos horários, os usuários também possuíam perfis distintos: aqueles que utilizavam das composições nos deslocamentos entre as grandes cidades, nos "longos percursos", viajavam em geral acompanhados de bagagens, e por isso, e também por passarem mais tempo nas composições, requeriam mais espaço para suas acomodações.  Já os usuários dos percursos cidade-subúrbio, gastavam menos tempo em seus deslocamentos, quase sempre desacompanhando de bagagens, e portanto, ocupavam menos espaço nas composições.

Assim, a tendência natural foi a das operadoras consolidarem a separação operacional entre os trens de longo percurso e os "de subúrbio", não só através

dos horários e paradas diferenciados, mas sobretudo através da adoção de material rodante específico para cada tipo de viagem.

A consolidação dessa forma de serviço viria em 1937, com a eletrificação das primeiras linhas de trens de subúrbio da E. F. Central do Brasil, no Rio de Janeiro, adotando-se composições de passageiros apropriados para esse público.

Por essa época, as empresas operadoras passaram a adotar áreas administrativas específicas para a gestão dos serviços de trens  de subúrbio, desvinculando-os das áreas de passageiros de longo percurso e de cargas.

A criação da Rede Ferroviária Federal - RFFSA, em 1957, levou à consolidação desse modelo de administração.  No início da década de 80, quando a RFFSA já havia desativado a operação de praticamente todos os trens de passageiros de longo percurso, dedicando-se à operação exclusiva de trens de carga, cogitou-se a idéia da operadora livrar-se de vez dos trens remanescentes de passageiros, então restritos apenas aos trens de subúrbio, transferindo-os a uma nova empresa a ser criada especialmente para congregar todos esses serviços.  E assim, em 1984, os antigos trens de subúrbio da RFFSA foram transferidos para a recém criada Cia. Brasileira de Trens Urbanos - CBTU.

Esse mesmo modelo foi adotado em São Paulo, em 1992, com a transferência dos Trens Metropolitanos da Fepasa para a nova operadora, Cia. Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM.

O quadro básico aqui apresentado busca visualizar a trajetória institucional e as respectivas alterações administrativas que nortearam a gestão dos serviços ferroviários de subúrbio no Brasil.

Esse quadro busca também auxiliar na compreensão da análise das séries históricas de dados relacionados a esses sistemas, tão prejudicadas em sua compreensão graças aos processos de fusão, cisão e desativação que levam as administrações dos sistemas a drásticas alterações na coleta e agregação dos dados e informações diversas.

Em um país conhecido por apagar sua memória a cada 10 anos, a ANTP espera assim contribuir com um mínimo de informações sobre a trajetória de um sistema tão importante dentro do universo do transporte público no país.

Quadro Básico Institucional dos Sistemas Ferroviários de Subúrbio no Brasil

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