ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS
 
 
 

 

Fórum Nacional de Secretários e os
Dirigentes de Transporte Urbano e Trânsito
 
 
Carta de Belém
 
A TARIFA COMO INSTRUMENTO DE INCLUSÃO SOCIAL
 
Os secretários de transporte e trânsito reunidos na 50ª Reunião em Belém/PA, vem a público e em especial se dirigindo aos órgãos do governo federal, manifestar a sua preocupação e apresentar propostas para o Barateamento da Tarifa e Financiamento do Setor.

O Transporte Público está abandonado devido a ausência de políticas públicas para as cidades.

Embora a Constituição de 1988 tenha colocado o transporte público como um serviço essencial, suprimiu os recursos ativos para o setor.

A conseqüência da crise que vive o setor e essa ausência de políticas é a exclusão de 56 milhões de brasileiros que não usam o transporte público urbano por absoluta dificuldade de pagamento da tarifa. Convivemos ainda com uma crescente evasão da demanda afetada pela qualidade do sistema.

Os conceitos de cidadania, democratização do espaço público e acessibilidade vêm sendo sistematicamente desviados dos seus princípios com a priorização do transporte individual.

O transporte individual tem tido primazia com relação aos investimentos a gestão do poder público, tornando as cidades cada vez mais congestionadas, violência urbana com mortes e acidentados, além de índices inaceitáveis de emissão de poluentes.

Consideramos, portanto como fundamental a inclusão das questões do transporte público na agenda social do país, pois trata-se de mecanismos concretos de transferência de renda, garantia do direito de mobilidade e geração de empregos.

Existem instrumentos concretos que o governo federal poderá valer-se para começar uma política para o setor.

A utilização da CIDE conforme sua aprovação unânime na Câmara e no Senado é um instrumento importante e concreto de política de transporte do Governo Federal, a exemplo de experiências em diversos países. Assim, o descontingenciamento dos recursos da CIDE se faz urgente, cumprindo a sua função aprovada em lei e evitando a evasão de recursos o que vem ocorrendo devido as sucessivas ações na justiça por parte das distribuidoras de combustível.

A garantia da aplicação da CIDE e a destinação de 25% para o Transporte Público Urbano é uma necessidade urgente dos municípios e dos usuários do sistema.

Outra questão fundamental é a Reforma Tributária , onde propomos a taxação de encargos sociais das empresas de transporte, tendo como base o faturamento e não a folha de pagamentos. Propomos, ainda incluir o transporte como componente da cesta básica e a extensão dos critérios de taxação aplicados ao setor.

Em função do exposto, os Secretários solicitam ao presidente Lula e seus Ministros que o transporte público urbano seja tratado pelo Governo Federal, como prioritário e essencial dentro de uma política de inclusão social, garantindo recursos de forma perene para o setor.


Belém, 27 de junho de 2003.