ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS
 
 
 

 
Transporte Público

 

V - SUGESTÕES DE AÇÕES

A seguir são discutidas algumas sugestões de ações que podem compor este trabalho conjunto dos três níveis de governo.

  • Objetivos gerais
    O objetivo principal é mobilizar-se para definir ações de melhoria do transporte urbano, que sejam formuladas e implementadas de forma coordenada pelos três níveis de governo. Estas ações podem representar um posicionamento claro do governo a favor da melhoria da qualidade de vida nas cidades, por meio da mudança das condições desfavoráveis atualmente verificadas. Os principais objetivos são:

A definição de uma política nacional de transporte urbano, de forma a:

  • promover o envolvimento conjunto das esferas federal, estadual e municipal, na definição de objetivos e planos de ação, de acordo com a magnitude a abrangência espacial das intervenções;

  • definir os sistemas de transporte público como forma prioritária de atendimento das necessidades de deslocamento da população brasileira.

  • garantir a aplicação de recursos - nos níveis municipal, estadual e federal - para atingir os objetivos propostos.

  • promover a participação crescente da sociedade e do setor privado na análise, proposição e aplicação de soluções;

A proposta de modelos de desenvolvimento urbano que :

  • criem interações eficientes entre o uso do solo, o transporte público e os meios não motorizados de transporte.

  • reduzam as distâncias médias de percurso e a dependência de transporte motorizado.

A organização de sistemas de transporte público que:

  • trabalhando em regime de eficiência, garantam acessibilidade física, qualidade e conforto a toda a população usuária, por meio de distribuição adequada de linhas, oferta adequada de viagens e assentos, e informação de boa qualidade;

  • cobrem tarifas suportáveis dos usuários e garantam o equilíbrio financeiro dos operadores;

  • tenham esquemas de integração física, operacional e financeira adequados e eficientes;

  • tenham seu desempenho monitorado por tecnologias avançadas; estejam integrados com o processo planejado de desenvolvimento urbano.

A reorganização do uso do transporte individual, para:

  • preservar o espaço viário necessário ao transporte não–motorizado e ao desempenho adequado dos meios coletivos de transporte;

  • reduzir os acidentes de trânsito;

  • reduzir a poluição ambiental;

  • reduzir a destruição do tecido urbano e o impacto negativo na qualidade de vida;

Ações específicas

1. Área institucional - política

  • definição da formatação institucional da política nacional de transporte urbano, unindo as três esferas de governo, os órgãos representativos do setor, a sociedade, a universidade e a iniciativa privada;

  • apoio à implantação do novo Código Brasileiro de Trânsito e à estruturação dos órgãos locais para a efetiva municipalização do trânsito

  • apoio à organização institucional dos órgãos de gerência de transporte e trânsito, municipais e metropolitanas, para permitir a gestão mais eficiente dos problemas urbanos;

  • reposicionamento do governo federal quanto à sua atuação no transporte e no trânsito urbanos, como agente participante de uma política nacional descentralizada;

  • criação de uma estrutura responsável pela coordenação da atuação federal, integrada com as demais esferas de governo, dentro da formatação institucional da política nacional;

2. Área técnica e gerencial

  • Implantação de corredores de transporte de média e alta capacidade, com sistemas eficientes de integração;

  • Implantação de projetos de reorganização do trânsito para melhorar segurança e qualidade de vida ("traffic calming");

  • Implantação de projetos de melhoria das condições de circulação dos pedestres e do transporte não motorizado;

  • Capacitação de recursos humanos. Podem ser pensados inicialmente três grupos de capacitação no nível nacional:

  • capacitação gerencial (políticas urbanas, planejamento de transporte e trânsito, gestão);

  • capacitação para técnicos (projeto e operação de transporte e trânsito);

  • capacitação para operadores (motoristas, fiscais, controladores);

  • capacitação para a gestão participativa;

  • Promoção do desenvolvimento tecnológico, especialmente nas áreas de:

      a) sistemas de controle operacional do transporte público;
      b) sistemas de controle operacional de trânsito;
      c) transferência tecnológica de sistemas e métodos de gestão;
      d) geo-processamento de informações de transporte e trânsito;
      e) tecnologias de transporte público de média capacidade;
      f) tecnologias não poluentes.

  • Implementação de programas especiais:

      a) qualidade no transporte público (órgãos públicos e empresas operadoras);
      b) segurança de trânsito;
      c) educação de trânsito.

  • Realização de estudos, destacando-se:

      a) condições atuais de transporte e trânsito (para subsidiar projetos de melhoria);
      b) segurança de trânsito (causas e soluções);
      c) pesquisas origem-destino em cidades médias e grandes;
      d) reorganização urbana para otimizar acessibilidade e consumo de energia e tempo;
      e) alterações no mercado de transporte (novos serviços);
      f ) transporte, energia e meio ambiente;
      g) medidas de restrição ao uso inadequado do automóvel;

3. Avaliação dos programas

  • definição do processo de avaliação permanente da política nacional, com a indicação de objetivos, metas e responsabilidades;

Ações prioritárias de maior impacto e resultado

a) Implantação da uma política nacional de transporte urbano conjugando esforços dos três níveis de governo, da iniciativa privada e da sociedade;

b) Definir novas formas de financiamento do transporte público, especialmente:

  • Novo fundo de transporte, com a combinação de várias fontes ligadas aos sistemas de transporte e trânsito;

  • Municipalização do recolhimento do IPVA, para uso prioritário no transporte público;

  • Reabertura do financiamento do setor público para projetos integrados de transporte e desenvolvimento urbano;

a) Regularizar os contratos de prestação de serviços de transporte público nas cidades brasileiras, por meio de processos de concessão precedidos da definição da rede e dos serviços desejados de transporte público, e com maior abertura para a atuação da iniciativa privada voltada ao mercado e ao usuário;

b) Municipalizar efetivamente o trânsito, com a superação dos obstáculos colocados aos municípios, principalmente o acesso ao cadastro de veículos e condutores de posse dos Detrans;

c) Criar, nos municípios, órgãos que conjuguem as ações de desenvolvimento urbano, transporte público e trânsito;

d) Reorganizar o espaço de circulação nas cidades, de forma a garantir prioridade no uso do sistema viário a pedestres, ciclistas e ao transporte público e a melhorar a segurança na circulação e a qualidade ambiental;

e) Criar restrições ao uso inadequado do automóvel, para garantir espaço adequado ao bom desempenho do transporte público, reduzir os acidentes e os impactos ambientais;

f ) Administrar a demanda de transporte e trânsito, para otimizar o uso dos recursos públicos e reduzir os gastos com energia;

g) Criar novas tecnologias e serviços de transporte público que atendam às novas expectativas dos usuários e que aumentem sua demanda;

   

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