ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS
 
 
 

 

Transporte Público

 

3) A Questão Econômico-financeira

a) Problemas atuais

Um dos principais fatores para conseguir a reorganização do transporte urbano no Brasil é a reorganização das fontes de financiamento. Quatro grandes obstáculos podem ser identificados.

Inicialmente, a crise fiscal do Estado, que tem limitado os recursos que podem ser aplicados no transporte urbano, principalmente nos sistemas de grande capacidade.

No âmbito federal, os recursos aplicados no transporte urbano nos últimos anos têm sido escassos. Estes recursos provêm de três fontes principais: o orçamento geral da União (OGU), o BNDES e da Agência Especial de Financiamento Industrial - FINAME (Lima, 1998). No período 1995-98, o Governo Federal investiu recursos orçamentários principalmente na recuperação dos trens urbanos, com vistas à sua estadualização e em na infraestrutura de suporte ao transporte coletivo sobre pneus, por meio do Programa de Infraestrutura Urbana - Proinfra, coordenado pela ex- Sepurb – Secretaria de Política Urbana. Já o BNDES aplicou recursos principalmente no estímulo a sistemas integrados de transporte público (como corredores de ônibus) e na ampliação da capacidade do transporte sobre trilhos. O FINAME, dentro de seu objetivo, financiou a ampliação e renovação da frota de ônibus urbanos e equipamentos relacionados. O resumo dos investimentos no período 1995-98 está na tabela 4.

Tabela 4: investimentos do Governo Federal no transporte urbano, 1995-98.

Fonte

Investimentos (milhões de R$)

Orçamento

1.232,70

BNDES

866,52

FINAME

938,23

Total

3.037,55

Fonte: Lima, 1998.

Em segundo lugar, a enorme dependência dos municípios em relação a fontes externas de recurso. Na média dos municípios brasileiros, só 32% dos recursos são próprios (tabela 5). Caso os municípios do Nordeste sejam considerados isoladamente, esta participação interna cai para 17,5%. Observa-se igualmente pela tabela como é reduzida a participação de operações de crédito.

Tabela 5: Distribuição dos recursos municipais, por fontes internas e externas, 1996.

Fonte

%

Internas

32,3

Transferências

63,7

Operações de crédito

4,0

Total

100,0

Dentre os recursos internos, o ISS – Imposto sobre serviços e o IPTU – Imposto sobre propriedade territorial urbana representam a maior parte (tabela 6). Dentre as transferências, o ICMS e o Fundo de Participação dos Municípios detêm as maiores parcelas (tabela 7)

Tabela 6: Distribuição dos recursos internos dos municípios, por fonte, 1996

Fonte interna

%

ISS

9,4

IPTU

7,4

Taxas

4,4

ITBI

1,6

Contribuição de melhoria

0,3

Outros

9,3

Total

32,3

Tabela 7: Distribuição dos recursos externos dos municípios, por fonte, 1996

Fonte externa

%

ICMS

30,4

FPM

18,7

IPVA

3,4

Voluntárias

10,6

Total

63,7

Observe-se ainda que a propriedade privada individual (imóveis e veículos) contribui com apenas 7,4% e 3,4% da arrecadação municipal.

Em terceiro lugar, as restrições emanadas das autoridades financeiras do Governo Federal no tocante à concessão de empréstimos ao setor público. Há vários anos, o principal agente financiador – BNDES – está sujeito a fortes limitações para financiar o setor público nos novos projetos de transporte.

Finalmente, existem também as resistências dos agentes privados em financiar projetos de transporte urbano. Os novos projetos de desenvolvimento na área do transporte urbano – corredores de ônibus, terminais, sistemas metro-ferroviários - nem sempre encontram interessados privados em financiá-los o que, aliado à crise fiscal e às restrições de empréstimo ao setor público, acabam por inviabilizá-los.

b) Necessidades de investimento

Os municípios brasileiros com população acima de 30.000 habitantes já começam a sentir a necessidade de investir em transporte público e trânsito. Para os municípios médios – acima de 300 mil habitantes – esta necessidade é premente e está aumentando frente ao aumento da população e do número de veículos em circulação. Pesquisa realizada em 1998 nos 165 maiores municípios brasileiros pela ANTP, IPEA e BNDES, permite projetar uma necessidade de investimento de cerca de R$ 3 bilhões por ano no transporte urbano. Este valor pode ser considerado conservador, à medida em que muitos municípios não projetam investimentos no curto prazo frente ao histórico de dificuldades de obtenção de recursos. Pode-se supor que, caso sejam criadas e viabilizadas novas fontes de recursos, a demanda por seu uso crescerá muito, inclusive porque os problemas do transporte urbano tendem a agravar-se no curto prazo se ações concretas não forem adotadas.

   

Copyright  ANTP - Associação Nacional de Transportes Públicos
Alameda Santos, 1000 - 7º andar CEP: 01418 -100, São Paulo - SP
tel: (011)3283-2299  fax: (011)3253-8095
e-mail: antpsp@antp.org.br